"Estação dos ventos fortes, das folhas que caem..."
"Muitas vezes os ventos fortes do outono sopram forte contrários. Como as folhas, nossos sonhos parecem ir embora..."
Tudo parece nebuloso.
Ventos vindos de todos os lados me deixam atordoada. As folhas calmamente como se não tivessem preça de chegar ao chão. Viola as leis da Física, os ventos deveriam sopra-las para longe. Mas parece que elas querem que eu as veja caindo.
Pego algumas delas nas mãos.
Me pergunto o que fazer com elas.
Tem algumas que a todo custo me fazem tentar coloca-las de volta lá no topo da árvore para que continuem vivas.
Outras, ao olhar para elas, choro, me lembro de como foram importantes, mas sei que fazem parte do passado e que sua árvore não precisa mais delas, e sim de novas mais intensas.Então solto-as permito que o vento enfim as leve, mas sem que antes o verde que elas tinham fiquem gravados em mim, que me pintem por inteiro.
Tem aquelas que deixo cair na esperança de que o seu verde ao toar no chão ilumine a raiz de sua árvore e que outras folhas se renovem com a intensidade de sua cor.
Outras ao pegar não consigo largar, guardo-as comigo. Não quero que o vento as leve nem que a árvore a renovem, só quero que fiquem comigo, me fazendo companhia, reconfortando-me.
Tem umas que passam bem na minha frente para que eu olhe para elas e então o vento, de repente, as jogam para longe me cortando ao passa por mim. Estas deixam cicatrizes.
Diferente destas ainda tem as que persistem no topo das árvores, não caem de jeito nenhum. E eu paro e fico olhando-as, perguntando-me quando que vão cair, se vão cair, se conseguirão a façanha de ficar ali para sempre.
Tem momentos que eu avisto de longe árvores lindas, floridas, encantadoras e aspiro tanto que essas arvores do outono renovem-se e fiquem tão bonitas quanto estas em algum momento. Me disseram que isso logo vai acontecer, que quando as folhas caem outras nascem ainda mais intensas e bonitas, mas não sei, fico agoniada, as folhas não param de cair, me pergunto quando elas renovarão, se algum dia elas realmente renovarão.
Enquanto isso o vento bate em meu rosto, ás vezes agredindo-me, ás vezes tão frio que me congela, ás vezes um tanto quanto reconfortante, ás vezes me assustam fazem barulho, bagunçam meus cabelos e não me deixam ver mais nada. Ás vezes levam minhas folhas embora e eu tola corro atrás tentando recupera-las, mas a ventania é forte, o vento é muito rápido.
Bem que ele podia fazer a estação passar rápido...
Andressa Kieling
20/07/12